Entenda por que a Bíblia dos protestantes tem menos livros Demoraram alguns séculos para que a Igreja Católica chegasse à forma final da Bíblia, com os 73 livros como temos hoje.

Em vários Concílios, ao longo da história, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,12-13) estudou e definiu o Índice (cânon) da Bíblia; uma vez que nenhum de seus livros traz o seu Índice. Foi a Igreja Católica quem berçou a Bíblia. Garante-nos o Catecismo da Igreja e o Concílio Vaticano II que: “Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados” (Dei Verbum 8; CIC,120).

Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica” (CIC,119).

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante?

Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14.

A razão disso vem de longe.

No ano 100 da era cristã, os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começavam a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os judeus não aceitaram.

Nesse Sínodo, os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte:

(1) Deveria ter sido escrito na Terra Santa;

(2) Escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;

(3) Escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

(4) Sem contradição com a Torá ou lei de Moisés. Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia em 537aC.

Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citados anteriomente.

Mas a Igreja católica, desde os Apóstolos, usou a Bíblia completa. Em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma influente colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego.

O rei do Egito, Ptolomeu, queria ter todos os livros conhecidos na famosa biblioteca de Alexandria; então mandou buscar 70 sábios judeus, rabinos, para traduzirem os Livros Sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu, assim, a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta, que a Igreja Católica sempre seguiu. Essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. Havia, dessa forma, no início do Cristianismo, duas Bíblias judaicas: a da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).

Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando inspirados (canônicos) os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento, utilizaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico. O texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os cristãos; e portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passaram para o uso dos cristãos.

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos Apóstolos. Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15. Nos séculos II a IV, houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus. Mas a Igreja, ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros. Após a Reforma Protestante, Lutero e seus seguidores rejeitaram os sete livros já citados. É importante saber também que muitos outros livros, que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento.

Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura.

Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.

Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja?

É claro que não. Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e de Macabeus II; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.

Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo. 

Vários Concílios confirmaram isto:

os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha.

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel.

Lutero, quando estava preso em Wittenberg, ao traduzir a Bíblia do latim para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

Neste fato fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje. Disse o último Concílio:

“Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8). Se negarmos o valor indispensável da Igreja Católica e de sua Sagrada Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia.

Note que os seguidores de Lutero não acrescentaram nenhum livro na Bíblia, o que mostra que aceitaram o discernimento da Igreja Católica desde o primeiro século ao definir o Índice da Bíblia.

É interessante notar que o Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S.Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia, o que gerava certas confusões entre os cristãos.

São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

 

 Bíblia mal utilizada

Conseqüências de um princípio funesto: a Sola Scriptura

"Então o Diabo lhe disse: 'Se és o filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito..." (Mateus 4,5).

A Sagrada Escritura é uma lâmpada que ilumina o nosso caminho para a Casa do Pai (Salmo 119,105), porém, quando mal utilizada, pode nos levar a danos físicos e morais e até mesmo à perdição eterna. O próprio Diabo se valeu desta técnica para inutilmente tentar derrubar Jesus.

O profeta Amós anunciou (8,11): "Chegará o dia em que Deus mandará fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra de YHWH" . Como esta fome de ouvir a Palavra de Deus é inerente à natureza humana, que deseja conhecer o seu Criador, devemos, nesta busca, estar atentos às infinidades de doutrinas errôneas inventadas pelo homem, que tenta baseá-las na Bíblia mal-interpretada.

Já o apóstolo Pedro advertia em 2Pedro 3,16, que haveria quem viesse a torcer o seu ensino para sua própria perdição.

Alguém disse: "Da Bíblia mal-intepretada pode se extrair até petróleo"... Joseph Smith, fundador dos mórmons, baseando-se na ordem divina de Gênese 1,22 e 35,11 ("crescei e multiplicai-vos"), aprovou a poligamia.

Joseph F. Rutherford, 2º líder mundial dos Testemunhas de Jeová, apoiou a já conhecida recusa às transfusões de sangue, que tantas mortes causou entre eles, a partir do texto de Atos 15,20, quando a Igreja proclamou uma ordem transitória e circunstancial de vir a abster-se do sangue.

Os líderes dos Adventistas do 7º Dia, utilizando Êxodo-20,8 ("recorda-te do dia de sábado para santificá-lo"), obrigam os seus adeptos a observá-lo como faziam os judeus do Antigo Testamento e rejeitam o domingo, o "Dia do Senhor", próprio dos cristãos.

Os cristãos fundamentalistas (Igreja da Fé em Cristo Jesus e outras da mesma linha doutrinária), lendo Atos 8,16 ("unicamente tendo sido batizados em nome do Senhor Jesus"), dizem que os cristãos devem ser batizados apenas em nome de Jesus e não no nome das Três Pessoas da Santíssima Trindade, muito embora esta seja a ordem expressa de Cristo em Mateus 28,19.

A grande maioria das Igrejas Cristãs Evangélicas, citando Romanos 3,28 ("concluímos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei"), proclama que a justificação (salvação) é obtida somente pela fé sem obras, em oposição ao que diz Tiago 2,26.

Entre os pentecostais, têm surgido casos de pessoas virem à falecer - principalmente crianças - em razão de seus pais não recorrerem ao médico para tratar das suas doenças, já que crêem que, segundo Lucas 8,48, tudo pode ser curado apenas pela fé e as orações.

No entanto, os judeus - o povo da Bíblia - recorriam aos médicos (Eclesiástico 39); e entre os apóstolos, havia um médico eminente: São Lucas (Colossenses 4,14).

Em San Luis Potosi, numa comunidade de pessoas que seguia esta linha doutrinária, algumas morreram ao inalar gas butano. O pastor lhes dizia que se tratava da ação do Espírito Santo (Heraldo de Chih, 1° de janeiro de 1992).

Os seguidores da urinoterapia (=beber da própria urina), justificam esta prática no texto de Provérbios 5,15 ("toma a água da tua própria fonte")!

As práticas mais absurdas podem ter apoio na Bíblia mal-interpretada; citar todas seria interminável.

Para evitarmos ser vítimas destes e de outros danos tão terríveis, leiamos a Sagrada Escritura sempre seguindo a interpretação do Magistério da Igreja Católica, a quem Jesus conferiu esse ministério (Lucas 10,16) e não o que é proclamado à margem deste.

 

DETALHES DA BÍBLIA



 

 

01 - Um Livro escrito em mutirão

Hoje qualquer pessoa tem acesso ao Livro mais famoso do mundo: a Bíblia Sagrada. Ela já foi traduzida para todas as línguas (aproximadamente em 1685 idiomas).

A Bíblia foi escrita por partes e em diversas etapas. Começou a ser escrita, mais ou menos, pelo ano 1250 antes de Cristo - no tempo de Moisés - quando o faraó Ramsés II governava o Egito.

A última parte da Bíblia foi escrita no final da vida do evangelista e apóstolo São João, por volta do ano 100 depois de Cristo. Portanto, foram necessários 1350 anos para a Bíblia ser escrita. O Museu Britânico e a Biblioteca do Vaticano guardam as cópias mais antigas da Bíblia.

02 - No que foi escrita a Bíblia?

No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras.

A Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho.

CERÂMICA: conhecida como a arte mais antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas, nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses "tijolos".

PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente às margens do Rio Nilo, chegando até a altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita uma espécie de folha de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado ainda úmido. O papiro era ainda usado na fabricação de barcos e cestos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam no papiro.

Tais folhas eram escritas só de um lado e depois guardadas em rolos. Daí que veio a palavra BÍBLIA. A folha tirada do caule do papiro chamava-se BIBLOS. BIBLOS Livro (plural de Biblos = BÍBLIA) BÍBLIA os livros ou coleção de livros.

PERGAMINHO: feito de couro curtido de carneiro. Começou a ser usado como "papel" na cidade de Pérgamo, pelo rei Éumens II 200 a.C. Pérgamo era uma importante cidade da Ásia Menor. Os egípcios, com inveja da grande importância da biblioteca de Pérgamo, não quiseram mais vender papiro para os moradores daquela cidade. Por isso, o rei de Pérgamo se viu obrigado a usar outro material para a escrita, que foi a pele de ovelha. O pergaminho se espalhou rapidamente para outras regiões. Os pergaminhos, assim como as folhas de papiro, não eram "encadernados" num livro como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam "rolos".

03 - Como a Bíblia está dividida e em que língua foi escrita?

A Bíblia divide-se em duas (2) grandes partes: Antigo Testamento (AT) e Novo Testamento (NT).

ANTIGO TESTAMENTO: é formado por 46 livros escritos antes de Cristo. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico ou aramaico, menos o Livro da Sabedoria, I e II Macabeus e trechos dos Livros de Daniel e de Ester, que foram escritos em grego.

NOVO TESTAMENTO: formado por 27 livros que contam a vida de Jesus e a formação da Igreja. O Novo Testamento foi escrito em grego, menos o Evangelho de São Mateus que foi escrito em aramaico.

Portanto a Bíblia é formada por 73 livros.

Sendo 46 Livros no AT + 27 Livros no NT Bíblia = Livros O hebraico era uma língua do Povo Hebreu ou Povo de Deus. Era especialmente religiosa. O aramaico era uma língua usada no meio diplomático. No tempo de Jesus já não se usava mais o hebraico e sim o aramaico. Na Bíblia a palavra TESTAMENTO tem o sentido de: ALIANÇA ANTIGA

ALIANÇA e NOVA ALIANÇA. Toda a Bíblia gira em torno da Aliança que Deus fez com seu povo.

ALIANÇA - é um contrato muito especial. Um pacto de amor entre as pessoas. Um compromisso de fidelidade entre Deus e os homens. No Antigo Testamento essa Aliança foi selada com um sinal visível: Decálogo Dez Mandamentos A Aliança foi gravada na pedra e selada com o sangue dos animais. No Novo Testamento a Nova Aliança é gravada no Espírito e selada com o Sangue de Jesus.

A Nova Aliança ao contrário da Antiga Aliança que era feita somente com o Povo de Israel, é uma Aliança Universal, aberta a todos os homens que aceitam a proposta da Salvação trazida por Jesus. A Antiga Aliança é a promessa; a Nova é a sua realização. Cristo é a plena realização da Antiga e Nova Alianças. Ele é o "Alfa" e o "Ômega" (Alfa e Ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego). Significa que Jesus é o começo e fim de todas as coisas.

04 - "Muitos Livros" num só Livro A Bíblia é um livro de volume único, que reúne muitos assuntos diferentes. A cada um desses assuntos dá-se o nome de Livros. Exemplo: há um trecho da Bíblia que fala da saída do povo de Deus do Egito - Livro do Êxodo (a palavra Êxodo significa saída). De onde é tirado o nome ou o título do livro: O nome é tirado de diversos lugares e de vários modos:

* Assunto contido no Livro. Ex: Livro da Sabedoria;

* Nome do autor do Livro. Ex: I Carta de São Pedro;

* Nome da comunidade para a qual o Livro foi escrito. Ex: Carta aos Romanos;

* Nome do personagem central em torno do Livro. Ex: Livro de Josué.

05 - Bíblia, o Livro inspirado por Deus. O principal Autor da Bíblia é DEUS. Os escritores sagrados (homens) registraram suas experiências de fé e de vida, inspirados por Deus. Antes desses Livros serem registrados -

TRADIÇÃO ESCRITA - tais experiências eram passadas oralmente de geração em geração -

TRADIÇÃO ORAL. "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar e para convencer, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e preparado para as boas obras” (2 Tm 3, 16-17)

HAGIÓGRAFO: é aquele que escreve a Palavra de Deus. Ele é inspirado pelo Espírito Santo. Quando falamos em Livros Inspirados, entendemos aqueles Livros que formam a Bíblia Sagrada. São os 73 Livros, reconhecidos oficialmente pela Igreja como tais. São chamados Livros Canônicos. Essa inspiração para escrever Livros da Bíblia já foi encerrada no tempo dos Apóstolos. Agora não se acrescenta mais nenhum Livro.

LIVROS APÓCRIFOS: São os Livros não inspirados. Também não quer dizer que sejam falsos. São até piedosos e edificantes. Seus escritos estão misturados com lendas e muita imaginação. Não fazem parte dos Livros Canônicos. 06 - Modo de falar dos hebreus Precisamos ter bem claro que os escritores da Bíblia eram pessoas simples, diferentes dos gregos e latinos, que eram desenvolvidos na filosofia e usavam uma linguagem racional.

O povo de Deus usava uma linguagem bem concreta, personificando seu pensamento. Ex: "humanidade" = carne (Gn. 6, 12); Para dizer que a mulher tinha a mesma natureza humana do homem, Adão se expressou com esta linguagem: (Gn 2,23) - "Eis agora aqui, o osso de meus ossos e a carne da minha carne". Quem não leva em conta essas coisas próprias da língua do povo que escreveu a Bíblia, não vai entender a Palavra de Deus.

07 - A palavra "irmão" e os hebraísmos Os orientais gostavam muito de usar provérbios. Recorriam as hipérboles (expressões exageradas). Ex: "É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus".(Mt. 19, 24). Outra coisa que precisamos entender são os "HEBRAÍSMOS", ou seja, certas expressões próprias da língua hebraica que não tem tradução em outras línguas.

Ex: alguém ama uma pessoa mais que a outra - ama uma pessoa e odeia a outra (Lc. 14, 26). Precisamos notar também a palavra "IRMÃO". No hebraico não existem as palavras "primos, tio, tia, sobrinhos, etc." Qualquer parentesco usa-se a palavra Irmão. Ex: Mt. 13, 55-56; Mt. 12, 48; Gn. 11, 27-28; Gn. 13, 8 08 - Formas literárias da Bíblia Para entendermos qualquer Livro da Bíblia, precisamos saber a que gênero literário pertence, ou seja, a forma de literatura usada para escrever. Forma literária é o conjunto de regras e expressões usadas para escrever tal tipo de Livro.

Os gêneros literários que se encontram na Bíblia são os seguintes:

* Tratados Religiosos: Com aparência de narração histórica, apresentam verdades religiosas. Não podem ser entendidos como história propriamente dita. Ex. Gn. 1 a 11.

* História Popular: é quando mistura um pouco de história verdadeira com elementos de fantasia. Trata-se de um modo de ensinar a religião.

* Histórias Descritivas: Possui uma finalidade religiosa, mas os personagens e os fatos são todos verdadeiros, documentados pela história.

* Gênero Didático: São Livros que trazem instruções religiosas ou morais. Fazem recomendações e dão orientações de vida.

* Gênero Profético: Apresentam a Palavra de Deus através dos profetas, que advertem, repreendem e encorajam o Povo de Israel diante da realidade em que vive.

* Gênero Apocalíptico: São visões proféticas sobre a sorte do Povo de Deus.

* Gênero Poético: Apresenta a Palavra de Deus à maneira de poesia, usando, portanto, de maior liberdade e recurso literário.

* Gênero Jurídico: é a Palavra de Deus apresentada sob a forma de Lei. É um modo de escrever bem diferente daquele usado na poesia.

* Gênero Epistolar: "Epistola" é uma palavra latina que significa carta. O gênero epistolar traz a Palavra de Deus à maneira de Cartas dirigidas a certas comunidades ou pessoas.

09 - O significado dos números na Bíblia Na mentalidade dos povos antigos, os números tinham um sentido simbólico. Muitas vezes significavam qualidade e não quantidade. Os orientais não sabiam falar sem recorrer ao simbolismo dos números e dos provérbios. Assim, por exemplo, para dizer que uma pessoa era virtuosa e abençoada por Deus, a Bíblia diz que tal pessoa viveu uma grande soma de anos. Os números ímpares eram sempre mais perfeitos que os pares. Pelo fato de serem mais facilmente divisíveis, os números pares eram inferiores, pois davam a idéia de coisa fraca.

Os números simbólicos mais freqüentes na Bíblia são:

UM, TRÊS, SETE, DEZ e DOZE.

O Dez e o Doze não são ímpares, mas tinham uma razão especial para entrar na lista dos números simbólicos.

* UM: era o número perfeito por excelência, por ser o primeiro ou origem dos outros números.

* TRÊS: era número perfeito por ser o primeiro composto de ímpar, e por representar o triângulo, que era uma figura perfeita, com três faces iguais.

* SETE: o mais significativo na linguagem bíblica. Começa por isto: Deus fez o mundo em sete dias (Gn. 1, 1-31; 2, 1-2). Indicava perfeição e totalidade. Quando Pedro perguntou a Jesus se deveria perdoar o irmão até sete vezes, o Senhor respondeu-lhe: - "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete" (Mt. 18,21-22). O perdão deve ser completo - infinitamente.

* DEZ: entrou na lista dos números perfeitos, apesar de não ser ímpar, porque dez são os dedos das mãos. E essa era a maneira primitiva de se contar.

* DOZE: era um número simbólico porque o ano divide-se em 12 meses. Indica plenitude e perfeição. As tribos de Israel eram doze (Gn 35, 22-26). Os Apóstolos eram doze (Mt 10,1-5). O número dos eleitos era 144 mil, sendo doze mil de cada uma das tribos de Israel (Ap.7,4-8).

10 - Nome de Deus na Bíblia Quando Jesus nasceu, foi-lhe dado um nome. Antes disso, não se encontra na Bíblia nenhum lugar onde se dê um nome a Deus. Mesmo quando Moisés perguntou a Deus qual era o Seu Nome, Deus não lhe disse qual o Seu Nome. Mas usou de expressão em lugar do nome.

Para o Povo de Deus o nome não era apenas uma palavra externa com a qual chamamos alguém. O nome possuía um conteúdo interior. Deveria significar aquilo mesmo que a pessoa era no íntimo de seu ser. Daí a dificuldade de se chamar Deus por um nome.

Quem poderia penetrar o íntimo divino?

Na Bíblia encontramos certas expressões que designavam a Pessoa Divina.

Eis as mais conhecidas:

* Elôhim: é o plural de "El" ? O SENHOR.

* ADONAI: quer dizer MEU SENHOR ou MEU DEUS.

* ELYON: significa a parte mais alta de um lugar. É usada para dizer O DEUS ALTÍSSIMO.

* SADDAI: palavra que significa O TODO PODEROSO.

* JAVÉ: (Jaheweh) quer dizer: EU SOU AQUELE QUE SOU.

* Jeová: é uma tradução errada de "Yahweh".Os judeus tinham excesso de respeito com o nome de Deus. O segundo mandamento do Decálogo (10 mandamentos) não permitia que se pronunciasse o nome de Deus em vão. Então por medo de usar indevidamente um nome tão sagrado, os judeus passaram a escrever "Javé" somente com as quatro consoantes, sem as vogais. Então ficou YHWH. Mais tarde, colocaram as vogais da palavra Adonai e surgiu " Yehowah" ( Jeová ) em lugar de Yaheweh ( Javé ). Quer dizer DEUS.

ANTIGO TESTAMENTO

PENTATEUCO É uma palavra grega que significa "cinco livros". O Pentateuco reúne os cinco primeiros livros da Bíblia. O Pentateuco era também chamado de Torá = Lei.

Gênesis: palavra grega que significa origem. Narra as origens do mundo e do homem e a formação do Povo de Deus e a história dos Patriarcas.

Êxodo: palavra latina, que significa saída. Trata da saída do Povo de Deus do Egito, a passagem pelo Mar Vermelho; fala dos Dez Mandamentos e a caminhada do Povo à Terra Prometida.

Levítico: Levi era um dos doze descendentes de Jacó. É um Livro que trata das leis sobre o culto divino.

Números: chama-se Números por causa dos recenseamentos e séries de números neles contidos. Narra a parte final da caminhada do Povo de Deus pelo deserto, do Sinai até a Terra de Canaã.Fala das lutas que os israelitas enfrentaram perante os povos que ocupavam as fronteiras da Palestina ou Terra Prometida.

Deuteronômio: Deuteronômio quer dizer Segunda Lei. São Leis que deveriam ser obedecidas quando o Povo entrasse na Terra Prometida.

LIVROS HISTÓRICOS Contam a história do Povo de Deus. Uma história feita de bênçãos e de castigos, mostrando sempre a fraqueza do homem e a misericórdia de Deus. Essa história tem como cenário a Palestina e os períodos de exílio nas terras pagãs.

Josué: Com a morte de Moisés, Josué conduz o Povo de Israel até Canaã. O Livro narra a conquista da Terra Prometida.

Juízes: Depois da morte de Josué até a Constituição do Reino, as Tribos de Israel eram invadidas por povos inimigos. Então certos líderes defendiam o povo. Tais chefes eram chamados de Juízes. Não se sabe quem escreveu este Livro.

Rute: Conta a história de Rute, que se casa com Booz. Rute é modelo de piedade e de fidelidade. Ela se torna bisavó do rei Davi. Rute era estrangeira – maobita – por isso é sinal de que a salvação de Deus se estende a todos os povos.

I Samuel: Foi o último Juiz de Israel. Foi também um grande Profeta. Consagrado a Deus desde a infância, foi educado pelo sacerdote Eli. Pelo ano de 1200 a.C Samuel unifica as Tribos de Israel para poder enfrentar os filisteus. Como chefe político e religioso, unge Saul como Rei de Israel.

II Samuel: O Livro de Samuel foi dividido em dois. Este segundo Livro narra o reinado de Davi. I Reis: Conta a história dos israelitas depois da morte do rei Davi (970 A.C) até a destruição de Jerusalém e a deportação do Povo de Israel por Nabucodonosor, no ano 587 a.C. II Reis: Este Livro narra a história dos reis de Israel e Judá, mostrando os desígnios de Deus.

I Crônicas: Também chamado de “Paralipômenos”, formavam uma só obra com os Livros de Neemias e de Esdras.

II Crônicas: Mostram o culto e a fidelidade do povo de Israel à Aliança. Esdras: É a continuação do Livro das Crônicas. Supõe-se que o autor seja o mesmo. Conta a restauração religiosa de Israel em 538 a.C, quando Ciro, rei da Pérsia, autorizou a volta dos judeus para Jerusalém.

Neemias: Forma um só Livro com Esdras. Assim que os judeus regressaram a Jerusalém, começaram a reconstrução do Templo e do Muro de Jerusalém.

Tobias: Tobias é exemplo de um israelita justo. É um Livro que mostra a fé e a piedade deste jovem.

Judite: Mostra que a fé e a confiança em Deus são mais forte que um exército armado. Judite é a jovem israelita fiel a Lei. Ela defende seu povo, acreditando na bondade de Deus.

Ester: Forma uma unidade com o Livro de Judite. Ambos tem a mesma finalidade. A rainha Ester era esposa de Assuero, rei da Pérsia. E ela intercede e salva seu povo, os judeus estabelecidos na Pérsia, onde eram duramente hostilizados.

I Macabeus: Abrange um período de 40 anos. Conta a lutas empreendidas pelos Macabeus contra os generais sírios, em defesa de Jerusalém. “Macabeu” quer dizer “martelo”. Eram 5 irmãos, filhos do sacerdote Matatias.

II Macabeus: Foi escrito aproximadamente no ano 100 a.C. Mostra a crença na imortalidade da alma.

LIVROS SAPIENCIAIS Falam da sabedoria dos homens e da experiência do amor de Deus na vida da comunidade. Estes Livros contêm orações, cânticos e poesias, escritos e vividos à luz da fé.

Jó: Apresenta o problema do sofrimento num estilo poético. Esse Livro trata-se, provavelmente, de uma parábola.

Salmos: Salmos quer dizer “Louvores”. São poesias para serem cantadas. Ao todo são 150 salmos. Boa parte foi composta pelo rei Davi.

Provérbios: Parte deste Livro foi escrita pelo rei Salomão – filho do rei Davi. O autor fala de um Deus criador e justo, misericordioso e inefável.

Eclesiastes: Não se sabe ao certo quem o escreveu. Mostra a instabilidade e a insegurança da vida presente, mas também muitas coisas boas que vem de Deus.

Cântico dos Cânticos: Significa: “O canto por excelência” ou “O mais belo dos cânticos”. É um cântico de amor, bem no estilo oriental. Toma como exemplo o amor do esposo e da esposa, mas quer mostrar o amor de Deus com o seu Povo, com quem fez uma Aliança.

Sabedoria: Foi escrito por um judeu que morava no Egito. O nome do autor não se sabe. Fala da imortalidade da alma e do destino eterno do homem.

Eclesiástico: Conhecido também como “Sirac”. Foi escrito mais ou menos no ano 120 a.C. Mostra o valor estável da Lei de Deus.

LIVROS PROFÉTICOS Profeta não é uma pessoa que prevê o futuro, mas uma pessoa que fala em nome de Deus. Isaías: É o maior profeta de Israel. Nasceu em Jerusalém por volta do ano 760 a.C. Com 20 anos começou a profetizar. Exerceu essa missão durante 50 anos. É o profeta da Justiça.

Jeremias: Nasceu no ano 650 a.C. Profetizou durante quarenta anos. Foi o profeta das desgraças. Predisse a deportação dos judeus. Jeremias lutou pela reforma religiosa de Israel.

Lamentações: Composto nos anos após a destruição de Jerusalém, em 586 a.C. Contém orações, lamentações e súplicas. Este Livro era lido anualmente pelos judeus, no aniversário da destruição do Templo.

Baruc: O profeta exorta o povo a fazer penitência. Baruc quer dizer “abençoado”. Foi secretário de Jeremias.

Ezequiel: Ezequiel quer dizer “aquele que Deus faz forte”. Exerceu sua função no meio dos judeus deportados para a Babilônia.

Daniel: O autor do Livro é desconhecido. Daniel é o nome do personagem ideal que sofre no exílio. Tem fé viva e ardor patriótico. Foi escrito durante a perseguição de Antíoco, entre 167-163 a.C. O autor pretende consolar e animar os que são perseguidos pelo rei.

Oséias: Exerceu seu ministério por volta do ano 750 a.C. Fala da infidelidade de Israel para com seu Deus, e compara a união de Deus com seu povo ao amor de um noivado. É o profeta da Ternura de Deus. É chamado de Profeta Menor.

Joel: Profetizou no reino de Judá e Jerusalém, onde nasceu. Fala do culto divino e do amor Divino. É chamado de Profeta Menor.

Amós: Era camponês, de alma simples e fervorosa. Pastor de ovelhas nas proximidades de Belém. Profetizou durante o reinado de Jeroboão

II. Amós condenou as injustiças sociais que massacraram a Samaria. É chamado de Profeta Menor.

Abdias: Profetizou pelos anos 550 a.C. Anunciou castigos contra Edom e o triunfo de Israel no dia de Javé. É chamado de Profeta Menor.

Jonas: O Livro deve ser uma espécie de parábola. Mostra que Deus chama à conversão, não somente os judeus, mas também os pagãos. É chamado de Profeta Menor.

Miquéias: Nasceu perto de Hebron. Anunciou a ruína da Samaria. Predisse que o Messias nasceria em Belém. É chamado de Profeta Menor.

Naum: O profeta fala da grandeza de Deus e do poder com que o Criador governa o mundo. Alegra-se com a queda de Nínive, que se deu no ano 608 a.C. É chamado de Profeta Menor.

Habacuc: Profetizou entre os anos 625 a 598 a.C. Predisse a invasão dos caldeus. Foi um profeta filósofo. Anunciou que Deus salvaria os justos e puniria os maus. É chamado de Profeta Menor.

Sofonias: Profetizou no reinado de Josias pelo ano de 625 a.C. Predisse a justiça divina, anunciando o Dia de Deus, ocasião em que serão punidos todos os maus, pagãos ou judeus. Fala também da felicidade dos tempos messiânicos. É chamado de Profeta Menor.

Ageu: Exerceu seu ministério em Jerusalém no ano de 520 a.C, quando era reconstruído o templo. Anima o povo com esperança dos tempos messiânicos. Ageu quer dizer “aquele que nasceu durante a festa” ou “peregrino”. É chamado de Profeta Menor.

Zacarias: É contemporâneo de Ageu. Prega uma reforma moral e exorta o povo a reconstruir o templo. Fala da vinda do Messias e da conversão das nações. É chamado de Profeta Menor.

Malaquias: Malaquias quer dizer “meu mensageiro” Fala do amor de Deus pelo seu povo. Denuncia as infidelidades do povo. É chamado de Profeta Menor. 

NOVO TESTAMENTO EVANGELHOS O Evangelho é um só. Quando falamos em quatro Evangelhos, estamos nos referindo às quatro redações do mesmo Evangelho, feita por quatro Evangelistas diferentes e datas diversas. É neste sentido que podemos dizer Evangelho de São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. Os três primeiros são mais semelhantes entre si. Narram quase sempre os mesmos fatos. Por isso, são chamados SINÓTICOS.

Mateus (1) Era do grupo dos Doze Apóstolos

Marcos (2) Não era do grupo dos Doze Apóstolos Evangelhos Sinóticos

Lucas (3) Não era do grupo dos Doze Apóstolos João

(4) Era do grupo dos Doze Apóstolos Os Evangelistas não pretendem escrever uma biografia de Jesus. Seu objetivo principal é provar que em Jesus, cumpriram-se todas as profecias a respeito do Messias. Por isso, a preocupação dos Evangelistas é mostrar a divindade de Jesus e a Sua missão divina.

O conteúdo principal da pregação de Jesus é o “Reino de Deus”.

EVANGELHO - Boa Nova ou Boa Notícia

1. Mateus: é representado pela figura de um Homem, porque começou a escrever seu Evangelho dando a genealogia de Jesus. Mateus é um nome hebraico que significa “dom de Deus”. Mateus era cobrador de impostos em Cafarnaum, por isso se intitulava “Mateus o publicano”. Era também chamado Levi. Foi convidado pessoalmente por Jesus para ser discípulo. O Evangelho de Mateus é dirigido aos judeus convertidos e quer mostrar que Jesus de Nazaré é o herdeiro das promessas feitas por Deus a Davi. Portanto, Jesus é o Messias anunciado pelos profetas.

2. Marcos: é representado pela figura de um Leão, porque começou a narração de seu Evangelho no deserto, onde mora a fera Era também chamado de João Marcos. Marcos era primo de Barnabé e discípulo de Pedro. Redigiu o Evangelho a partir das pregações de Pedro. Põe em evidência os milagres de Jesus, pois pretende mostrar a bondade do Senhor e a sua divindade. Seu Evangelho se dirige aos cristãos vindos do paganismo (gregos e romanos).

3. Lucas: é representado pelo Touro, porque começa o Evangelho falando do templo, onde eram imolados os bois. Lucas nasceu em Antioquia da Síria, de família pagã. Converteu-se por volta do ano 40. Estudou Medicina. Não foi discípulo de Jesus, mas de Paulo. Lucas escreveu o Evangelho como historiador. Talvez pelo ano 67 d.C. Dirige seu Evangelho aos cristãos de origem pagã (gregos e romanos). O objetivo de seus escritos é o fortalecimento na fé. É o evangelista que mais fala do nascimento e da infância de Jesus. Dá destaque especial a misericórdia de Deus.

4. João: é representado pela Águia, por causa do elevado estilo de seu Evangelho, que fala da Divindade e do Mistério Altíssimo do Filho de Deus. É filho de Zebedeu e Salomé. Era pescador do Mar da Galiléia, por onde Jesus passou e o chamou para ser Apóstolo, juntamente com Tiago, seu irmão. João era chamado o “discípulo amado”. Começou a seguir Jesus quando tinha 19 anos e foi testemunha de toda a missão do Senhor. Fala da “vida eterna” como realidade já presente na terra, na Pessoa de Jesus. João escreve aos cristãos.

ATOS DOS APÓSTOLOS Conta como tiveram origem e como eram as primeiras comunidades da Igreja. Mostra as lutas e dificuldades da Igreja nos seus primeiros anos. Destaca, logo no início a pregação e o testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição do Senhor. O Livro dos Atos é uma continuação do terceiro Evangelho (Lucas). As duas personagens de destaque no Livro dos Atos são os Apóstolos Pedro e Paulo. O livro dos Atos salienta a ação do Espírito Santo na vida da Igreja. Foi escrito entre os anos 70 a 80 d.C. Apresenta a experiência vivida pela Igreja primitiva, com aqueles quatros pontos fundamentais para a vida da Igreja:

Quérigma: é o primeiro anúncio do Evangelho ou chamado à conversão.

Catequese: educação na fé ou aprofundamento no conhecimento da Palavra de Deus.

Vida em Comunidade: experiência muito forte onde partilhavam os bens, a oração era em comum e a participação na Eucaristia.

Missão: Missão Apostólica – exercício do poder que os Apóstolos receberam de Jesus.

EPÍSTOLAS São 21 as Cartas ou Epístolas. As 14 primeiras são chamadas Epístolas Paulinas; as 7 restantes, chamadas Epístolas Católicas.

EPÍSTOLAS PAULINAS: Romanos: Carta que São Paulo escreveu a uma Comunidade Cristã de Roma, no ano de 57 d.C. Fala das conseqüências do pecado e que o homem é salvo pela fé em Jesus Cristo, por pura misericórdia de Deus.

I Coríntios: São Paulo escreveu de Éfeso aos cristãos da cidade de Corinto, no ano 55 d.C, para repreendê-los quanto aos abusos e disputas que surgiram na comunidade. Prega a humildade, inspirada na cruz de Jesus. Recomenda a caridade II

Coríntios: Seis meses depois São Paulo escreve a segunda carta. Manifesta suas tribulações e esperanças.

Gálatas: Escreveu nos anos 48 ou 56 d.C a uma comunidade da Galácia, para resolver problemas surgidos por causa dos judeus convertidos, que quiseram impor sua lei judaica aos cristãos vindos do paganismo.

Efésios: Escreveu quando estava preso em Roma, nos anos 61 a 63 d.C. Recomenda unidade dos cristãos.

Filipenses: Também estava preso. A carta tem um cunho muito pessoal. Manifesta alegria e afetividade.

Colossenses: Fala do mistério de Cristo e da Igreja e acrescenta uma série de conselhos morais aos cristãos que vivem uma vida nova em Jesus Cristo.

I Tessalonicenses: é a carta mais antiga que São Paulo escreveu. Foi por volta do ano 50 d.C. Fala da alegria que sente ao saber da felicidade deles e de poder contar com seu progresso espiritual.

II Tessalonicenses: Adverte os fiéis a respeito das falsas idéias sobre a volta gloriosa de Jesus.

I Timóteo: É uma carta dirigida aos bispos aos quais São Paulo dá normas de pastoral. Timóteo é seu discípulo e companheiro de viagem.

II Timóteo: Dá normas de vida para homens, mulheres, diáconos e Bispos. Fala também como devemos tratar as viúvas, os anciãos e os escravos.

Tito: Tito é um grego, colaborador de Paulo. Nesta carta orienta a respeito de como organizar as comunidades cristãs na ilha de Creta. Filemôn: é uma carta curtinha. Dirigida a um cristão rico de Colossos, cujo escravo fugitivo tinha vindo procurar proteção junto a Paulo. Pede que perdoe o escravo arrependido e convertido ao cristianismo.

Hebreus: Talvez esta carta não tenha sido escrita por Paulo. As idéias são suas, mas o estilo é bem diferente. É dirigida aos judeus que receberam o batismo e sofrem por deixar o templo e a sinagoga.

EPÍSTOLAS CATÓLICAS (católica significa “universal”)

Tiago: Também chamado de “irmão do Senhor” é o Tiago Menor, filho de Alfeu. Foi bispo de Jerusalém. A carta tem a espiritualidade do Sermão da Montanha. Traz conselhos para a vida moral. Recomenda a prática da caridade, da justiça e da piedade.

I Pedro: Fala da alegria do cristão e da unidade de todos os batizados em Jesus Cristo. Dirigida aos cristãos que sofrem por causa da fé, esta carta lembra a importância da cruz de Cristo e exorta todos a uma vida de santidade.

II Pedro: O conteúdo é semelhante à Carta de Judas. Rejeita as doutrinas pregadas por falsos profetas de vida corrupta. É uma exortação à fidelidade a Cristo e ao amor de Deus, lembra a vinda de Jesus.

I João: As três cartas que seguem foram escritas pessoalmente pelo Apóstolo e Evangelista São João. Na primeira carta, João fala que Deus é Amor e Luz. Por isso, o cristão deve se comportar como filho da Luz, fugindo do pecado.

II João: Dirigida a uma comunidade da Ásia, é uma exortação a caminhar na verdade e no amor.

III João: Dirigi-se a um certo “Gaio”, a quem elogia suas virtudes. Judas: Foi escrita, talvez em Jerusalém pelo ano 65 d.C. Ela põe os fiéis de alerta perante falsas doutrinas e falsos mestres.

APOCALIPSE Significa “revelação” Trata-se de um Livro profético. Foi escrita às Sete Igrejas (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia) da Ásia Menor, por volta do ano 100 d.C, por São João Evangelista, quando estava exilado na ilha de Patmos. Naquela época tais Igrejas passavam por dura provação: implacável perseguição religiosa. Muitos cristãos sentiam-se desanimados e até desesperados. É para esses cristãos que João escreve o Apocalipse.

Trata-se de uma mensagem sobrenatural, transmitida de maneira misteriosa e simbólica, por causa do clima de perseguição.

12 - Como manusear a Bíblia? Para manusear a Bíblia é necessário seguir alguns passos: Saber o Nome ou o Título do Livro - ver se o Livro está no Antigo ou no Novo Testamento. (oriente-se pelo índice). No índice, verifique a abreviatura do Livro. Número do Capítulo está sempre em tamanho grande, no início do capítulo do Livro. Número do versículo está sempre em tamanho menor, espalhado pelo meio do texto. Entre o número do capítulo e do versículo vai sempre uma vírgula. Se o texto abranger mais de um versículo, então se separa a seqüência dos versículos por um traço. Ás vezes encontramos um “s” ou dois “ss” depois do versículo. Quer dizer “versículo seguinte” ou “versículos seguintes”.

Ás vezes encontramos um “a” ou um “b” após o versículo. Indicam se é a primeira ou a segunda parte do versículo. Isso acontece quando o versículo é formado por uma ou mais frases. Abreviaturas da Bíblia Sagrada Em índices e citações bíblicas, é comum o uso de abreviaturas para se referir aos Textos. Um dos formatos convencionados segue o padrão abaixo: · Os dois pontos (:) separam o capítulo dos versos; · O hífen (-) indica uma faixa contínua de versos; · A vírgula (,) indica uma seqüência não contínua de versos; · O ponto-e-vírgula (;) inicia um novo capítulo do mesmo livro ou não, se seguido de nova abreviação.

Gn 3:2-5 = Gênesis, capítulo 3, versículos 2 a 5. Lv 1:3,6;2:2-4 = Levítico, capítulo 1, versículos 3 e 6, capítulo 2, versículos 2 a 4. Mt 1-12;Ap 2:1-7 = Mateus, capítulos 1 a 12, Apocalipse, capítulo 2, versículos 1 a 7. Antigo Testamento (ordem alfabética) * Ab Abdias * Ag Ageu * Am Amós * Ct Cânticos * I Cr Crônicas I * II Cr Crônicas II * Dn Daniel * Dt Deuteronômio * Ec Eclesiastes * Ed Esdras * Et Ester * Ex Êxodo * Ez Ezequiel * Gn Gênesis * Hc Habacuque * Is Isaías * Jr Jeremias * Jó Jó * Jl Joel * Jn Jonas * Js Josué * Jz Juízes * Lm Lamentações * Lv Levítico * Ml Malaquias * Mq Miquéias * Na Naum * Ne Neemias * Nm Números * Os Oséias * Pv Provérbios * I Rs Reis I * II Rs Reis II * Rt Rute * Sl Salmos * I Sm Samuel I * II Sm Samuel II * Sf Sofonias * Zc Zacarias Novo Testamento (ordem alfabética) * Ap Apocalipse * At Atos dos Apóstolos * Cl Colossenses * I Co Coríntios I * II Co Coríntios II * Ef Efésios * Fm Filemon * Fp Filipenses * Gl Gálatas * Hb Hebreus * Jo João * I Jo João I * II Jo João II * III Jo João III * Jd Judas * Lc Lucas * Mc Marcos * Mt Mateus * I Pe Pedro I * II Pe Pedro II * Rm Romanos * I Ts Tessalonicenses I * II Ts Tessalonicenses II * Tg Tiago * I Tm Timóteo I * II Tm Timóteo II * Tt Tito

13 - Qual a diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia “protestante”

Existe uma diferença quanto ao número de Livros.

O Novo Testamento da Bíblia evangélica e o nosso são iguais = 27 Livros.

Mas o Antigo Testamento da Bíblia evangélica ou protestante não possui 7 Livros que fazem parte da Bíblia Católica.

A Bíblia dos evangélicos não possui o Livro de Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, I Macabeus e II Macabeus.

Além disso, o Livro de Daniel na Bíblia protestante, não tem os capítulos 13 e 14, e os versículos 24 a 90 do capítulo 3. Não tem também os capítulos 11 a 16 de Ester. []

Explicação: Os judeus eram radicalmente nacionalistas. Por isso, achavam que Deus só poderia inspirar os Livros escritos na língua dos judeus, que era o hebraico e o aramaico. Achavam também que a Palavra de Deus só poderia ser escrita dentro do território de Israel, e até o tempo de Esdras.

Quando os judeus começaram a se espalhar pelo mundo, logo após a destruição de Jerusalém (ano 70 d.C), eles mesmos viram a necessidade de traduzir o Livro Sagrado para o grego, que era a língua mais universal daquela época. E, nessa tradução foram incluídos esses 7 Livros (que estavam escritos em grego). Foi daí que surgiram as discussões. Os fariseus que zelavam pela pureza e conservação das escrituras Sagradas não quiseram aceitar esses 7 Livros como inspirados por Deus. Isso não quer dizer que tanto uma como a outra não são verdadeiras. Todas as duas são Palavra de Deus.

14 – Partidos Políticos na época de Jesus Saduceus: Eram grandes proprietários de terra, membros da elite sacerdotal, controlavam o sinédrio e o templo de Jerusalém e cultuavam a Torá.

Escribas: Eram intérpretes da Lei (Sagradas Escrituras). Eram os “doutores” que atuavam nas escolas rabínicas. Fariseus: Várias camadas sociais. Eram minuciosos nas regras de pureza (“separação”). Foram criticados por Jesus e acreditavam na imortalidade da alma.

Zelotas: Eram dissidentes dos fariseus, pretendiam expulsar os dominadores com armas. Foram zelotas: Simão, Judas Iscariotes.

Essênios: Puritanos viviam em comunidades fechadas (QUWRAM), perto do Mar Morto. Praticavam o celibato e viviam de muito trabalho. Aguardavam a vinda do Messias.

Nota Final: Esse estudo não completa ou substitui a Bíblia Sagrada. Ele deve ser acompanhado da leitura e meditação dos Santos Livros que compõem esta maravilhosa obra inspirada por Deus e que até os dias de hoje nos ensina e nos ajuda a levar uma vida santa e pura. Una-se a Pastoral do Evangelho em sua paróquia e participe ativamente do trabalho de evangelização.

Comece em sua família: ensine seus filhos, parentes e amigos a cultuar o estudo das Sagradas Escrituras. Não é fácil aplicar todos os ensinamentos em nossa vida, mas quanto mais nos interessarmos em compreender melhor o que Deus quer de nós mais feliz será nossa vida e estaremos irradiando amor e paz por todos os lugares que passamos.

Que Deus nos abençoe em nossa caminhada!

 

Como está dividida a Bíblia?

Quais livros a compõem?

A Bíblia está dividida em duas grandes partes:

1. Antigo Testamento:

Que são todos os livros escritos a partir do séc. XV a.C. até o nascimento de Cristo. Contém a Lei de Deus dada a Moisés, a história do povo de Israel e suas reflexões, bem como a previsão da vinda do Messias, que se deu com a vinda de Jesus Cristo.

2. Novo Testamento: Que são todos os livros escritos após a vinda de Jesus até o final do séc. I d.C.. Traz a vida e as obras de Jesus, a criação e a expansão da Igreja, além de documentos de formação do povo cristão. Essas duas grandes divisões estão, ainda, subdivididas de acordo com o conteúdo dos livros.

Temos assim, para o Antigo Testamento:

1. Livros da Lei:

também chamados de Pentateuco, isto é, os "cinco livros" de Moisés, que abrem a Bíblia, e falam da Criação de Deus e da formação de seu Povo Eleito: Israel.

2. Livros Históricos:

são os livros que descrevem as guerras de Israel, bem como a história de seus reinos.

3. Livros Didáticos:

ou sapienciais, apresentam a sabedoria e poesia dos hebreus.

4. Livros Proféticos:

foram escritos por profetas que pregavam o arrependimento e preparavam o povo eleito para a chegada do Messias Salvador. enquanto que, para o

Novo Testamento, temos:

1. Livros do Evangelho: narram a vida, os ensinamentos, os milagres e a obras do Messias Jesus Cristo.

2. Livro Histórico: apresenta a instituição e expansão da Igreja Cristã, primeiro na Palestina e, a seguir, no mundo até então conhecido.

3. Epístolas: são as doutrinas e exortações escritas por alguns Apóstolos de Cristo e encaminhadas a comunidades ou fiéis cristãos.

4. Livro Profético: traz a vitória de Cristo e sua Igreja sobre as forças do mal e o juízo final.

Os livros que compõem a Bíblia são 73, sendo 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento.

São eles:

1. Gênese

2. Êxodo

3. Levítico

4. Números

5. Deuteronômio

6. Josué

7. Juízes

8. Rute

9. Samuel - Livro I

10. Samuel - Livro II

11. Reis - Livro I

12. Reis - Livro II

13. Crônicas - Livro I

14. Crônicas - Livro II

15. Esdras

16. Neemias

17. Tobias

18. Judite

19. Ester

20. Macabeus - Livro I

21. Macabeus - Livro II

22. Jó

23. Salmos

24. Provérbios

25. Eclesiastes

26. Cântico dos Cânticos

27. Sabedoria

28. Eclesiástico

29. Isaías

30. Jeremias

31. Lamentações de Jeremias

32. Baruc

33. Ezequiel

34. Daniel

35. Oséias

36. Joel

37. Amós

38. Abdias

39. Jonas

40. Miquéias

41. Naum

42. Habacuc

43. Sofonias

44. Ageu

45. Zacarias

46. Malaquias

47. Evangelho de Mateus

48. Evangelho de Marcos

49. Evangelho de Lucas

50. Evangelho de João

51. Atos dos Apóstolos

52. Epístola aos Romanos

53. 1ª Epístola aos Coríntios

54. 2ª Epístola aos Coríntios

55. Epístola aos Gálatas

56. Epístola aos Efésios

57. Epístola aos Filipenses

58. Epístola aos Colossenses

59. 1ª Epístola aos Tessalonicenses

60. 2ª Epístola aos Tessalonicenses

61. 1ª Epístola a Timóteo

62. 2ª Epístola a Timóteo

63. Epístola a Tito

64. Epístola a Filemôn

65. Epístola aos Hebreus

66. Epístola de Tiago

67. 1ª Epístola de Pedro

68. 2ª Epístola de Pedro

69. 1ª Epístola de João

70. 2ª Epístola de João

71. 3ª Epístola de João

72. Epístola de Judas

73. Apocalipse de João

 

Vamos, neste primeiro tempo, conhecer um pouco de cada um de nós e, especialmente, a HISTÓRIA SALVÍFICA DO HOMEM, passo muito importante em nosso CAMINHAR.

Um pouco de "Conhecimento Pessoal e Bíblia" nos tópicos a seguir:

1. Gente madura que caminha para Deus

 2. A Bíblia, o livro do povo de Deus

2.1. A Bíblia, uma coleção de livros 2.2. A Bíblia, como manusear

2.3. Como a Bíblia foi escrita

2.4. A Bíblia, algumas características

2.5. A Bíblia como vida

2.6. Os livros do Antigo Testamento = AT 2.7.

Os livros do Novo Testamento = NT

2.8. A Bíblia é palavra de Deus

2.9. As citações bíblicas, como ler Treinando a manusear a Bíblia ...

vamos treinar ?

* 1. Gente madura que caminha para Deus Qual o melhor caminho para Deus?

 Geralmente, as pessoas dizem que todos os caminhos levam a Deus e, de certa forma, não deixam de ter lá as suas razões, principalmente se considerarmos que o próprio Deus, diz a sabedoria popular, escreve certo por linhas tortas.

Entretanto, alguns aspectos não podemos deixar de considerar e que, para um verdadeiro e sincero encontro com Deus, eles devem estar presentes, seja lá qual for a idade, o sexo, a nacionalidade, a experiência de vida e tudo o mais que se possa imaginar na vida de alguém. O primeiro deles já vai agora neste “pequeno pensamento”.

 ”É que o encontro com Deus passa necessariamente por outros dois encontros: um da pessoa consigo mesma e outro dela com as outras pessoas” . Sem estes dois encontros a descoberta de Deus fica, no mínimo, bastante atrapalhada, para não dizer impedida. O primeiro encontro, o da pessoa consigo mesma, aparentemente é fácil mas, na verdade, traz em si um grande desafio.

 Já os antigos tinham um provérbio muito sério e que dizia o seguinte :

“Conhece–te a ti mesmo! ”

De fato, o ser humano de hoje se depara com tantas e tantas coisas diante de si. São compromissos, tarefas, desafio{, metas a c}mprir, cursos a fazer, trabalhos a conseguir. Ninguém nega o valor destas coisas, mas de que elas adiantam, se somos eternos desconhecidos para nós mesmos.

 Para a verdadeira felicidade, não interessa ter muitas coisas se não nos possuímos a nós mesmos. Repetindo uma outra frase bem conhecida, “importa mais ser do que ter”.

 Cada um de nós é um ser humano único, uma personalidade original e irrepetível, mesmo entre gêmeos. Ninguém é cópia ou clonagem de outrem. Cada pessoa é em si e para si uma imensa riqueza que necessita ser descoberta.

Jesus disse uma frase muito séria:

 “De que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a si mesmo?”

Para que o ser humano possa se chamar de verdadeiramente humano, ele não deve conquistar apenas as coisas. Deve conhecer e conquistar a si mesmo, desvendar seus mistérios, descobrir sua interioridade.

É claro que isto pode assustar no início mas, depois, torna-se agradável e, como disse alguém, profundamente sedutor e maravilhoso. O segundo diz respeito às outras pessoas com quem convivemos.

Uma vez alguém falou que “ homem algum é uma ilha” e nós sabemos disto muito bem. Sabemos que uma das piores situações pelas quais uma pessoa pode passar é a da solidão. Imagine então o que significa alguém querer ser feliz sozinho, sem os outros!

 No mundo de hoje, há quem defenda esta possibilidade e afirme com toda convicção que não há necessidade de amizades sinceras, relacionamentos profundos e duradouros ou confiança mútua. É claro que ninguém pode ser obrigado, por exemplo, a confiar nos outros. Confiança , fraternidade ou afeto são coisas que partem de dentro de cada pessoa e vão sendo aprendidas lenta e gradualmente durante toda a vida, muitas vezes com significativa dose de sofrimento.

 Por tudo isso, uma das primeiras palavras que deve ser considerada em todo este nosso “CAMINHAR” em direção a Deus é “ CORAGEM”. “CORAGEM” para não fugir de si mesmo(a) nem dos outros, com quem somos convidados a construir relacionamentos sinceros, profundos e duradouros.

 topo 2. A Bíblia, o livro do povo de Deus

: MENSAGEM CENTRAL DA BÍBLIA

 1. Deus é Libertador

2. Deus está sempre com a gente: “eu estarei sempre contigo”

 3. Deus se revela no grito do pobre

 4. Deus fala pela vida. É o Deus da Vida

5. Deus nos convoca para a mudança (conversão)

6. Jesus Cristo – Centro da Bíblia

A Bíblia é sem dúvida o livro mais importante do mundo, o mais lido e o mais conhecido. Cada ano são impressos milhões de exemplares, em 1 500 línguas!

Até na Lua, o astronauta americano Edgar Mitchel, depositou uma Bíblia completa, em microfilme, juntamente com o primeiro versículo da Palavra de Deus:

“ No começo Deus criou o Céu e a Terra” , escrito em 16 línguas, numa placa a prova de fogo! O que é , então, esse livro tão importante?

topo • 2.1. A Bíblia, uma coleção de livros A palavra Bíblia quer dizer “livros” porque, de fato, é uma coleção de livros escritos em diversas épocas e por autores diferentes.

No total, são 73 livros: 46 foram escritos antes de Jesus e formam

 o Antigo Testamento = AT ; 27 foram escritos pelos apóstolos e discípulos de Jesus e formam o

Novo Testamento = NT . A palavra “testamento” tem aqui o sentido de aliança.

Assim, seria melhor dizer: Livros da Antiga Aliança e Livros da Nova Aliança. De fato, a Aliança entre Deus e seu Povo é o núcleo central de toda a Bíblia.

As edições protestantes contêm somente 39 livros do Antigo Testamento, porque não consideram 7 livros: Tobias, Baruc, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, e os livros dos Macabeus.

Assim, para saber se uma edição da Bíblia é católica (contém os sete livros) ou protestante (não contém os sete livros), há dois recursos. O primeiro é verificar no índice se algum dos sete livros mencionados acima consta da edição.

O segundo recurso é verificar logo nas primeiras páginas, antes mesmo do livro do Gênesis se a tradução para o português foi feita por João Ferreira de Almeida. Se este nome aparecer, a edição não é católica, pois os nossos irmãos protestantes só aceitam esta tradução e nenhuma outra mais.

A origem desta diferença é muito simples. Os setes livros que os protestantes não aceitam também não são aceitos pelos judeus, porque surgiram fora da Palestina. Uma vez que os judeus não aceitaram, os protestantes também preferiram deixar os livros de fora.

Para a Igreja Católica, entretanto, tais livros foram aceitos e fazem parte da lista oficial, chamada cânon, que compõe a Bíblia. Quaisquer outros são considerados como não sagrados.

topo • 2.2. A Bíblia, como manusear

Para facilitar a leitura da Bíblia, no ano de 1214, cada um dos livros da Bíblia foi dividido em capítulos, e em 1528, cada capítulo foi dividido em versículos. O capítulos são porções mais extensas e não iguais dos livros, enquanto os versículos são pequenos trechos, normalmente de duas ou três linhas, dentro dos capítulos. Habitualmente o livro é citado de forma abreviada (Gn = Gênesis).

 Em cada Bíblia há um índice com as abreviaturas correspondentes a cada um dos livros. Para indicar uma passagem na Bíblia dá-se primeiro a abreviatura do livro, depois o capítulo e finalmente o versículo: Jo 10, 13-17

* Evangelho segundo São João, capítulo 20, do versículo 13 ao versículo 17.

topo • 2.3. Como a Bíblia foi escrita 

 Deus “escolheu como seu povo o povo de Israel, estabeleceu uma aliança com ele, instruiu aos poucos, revelando-se a si mesmo, bem como os desígnios de sua vontade, através da história desse povo (LG 9). No princípio as histórias do povo de Deus eram contadas e transmitidas oralmente, de pai para filho.

 Depois, motivados por circunstâncias diversas, começaram a escrever essas experiências de vida e de fé, inspirados por Deus. Por fim, colecionaram as diversas tradições orais e escritas e as "editaram'" nos livros que chamamos Bíblia.

A Bíblia escrita é, pois, a expressão das experiências vitais de um povo, vividas na fé, ao longo de vários anos. Naqueles tempos, quando os autores punham-se a escrever histórias, não se atinham às mesmas normas de exatidão e verdade às quais obedecemos no presente. Transmitiam apenas os aspectos interessantes à vida social, política e religiosa do povo, e ainda os enfeitavam para transmitir algum ensinamento importante, que era o que realmente importava.

A narração tem por base um fato histórico, porém enfeitado para impressionar e ajudar a passar alguma mensagem significativa para o povo. Mesmo nas narrações estritamente históricas os fatos que se contam sem enfeites são julgados e valorizados do ponto de vista da Fé (Josué, Juizes, Samuel, Reis).

 Outras vezes omite-se o que for desfavorável à personagem, aproveita-se tudo o que for edificante, de forma ampliada, para melhor aproveitamento do leitor (I e 2 Cr; 2 Mc ). Há também descrições apocalípticas, repletas de expressões exageradas (hipérboles) e numa linguagem extravagante (Dn 7ss; Is 13,34). Há Códigos de Leis (Êxodo e Levítico), Visões (Amós e Jeremias), Coleções de Provérbios e de Normas de Educação e de Vida (Provérbios. Eclesiástico e Sabedoria), Cânticos de Amor, de Guerra, de Ação de Graças...(Salmos, Cânticos dos Cânticos).

Encontraremos na Bíblia, então, muitas vezes a linguagem figurada com suas metáforas, antropomorfismos, hipérboles, paradoxos, ironias, fábulas, parábolas e alegorias. Enfim, relatos de fatos corretos, mas envoltos em mito e lendas, como na história das origens. Mas devemos ficar atentos a algumas advertências:

 • A maior parte da Bíblia deve ser entendida como se apresenta, sem necessidade de recorrer aos gêneros literários.

• Por outro lado, deve-se ter em mente, para entender o que Deus nos quer dizer através da Bíblia, é preciso estudar com atenção o que os autores quiseram dizer e dizem, por meio dos gêneros literários próprios de sua época e cultura , pois da intenção do autor, ao usar determinado estilo literário, deduziremos o que ele nos quer dizer.

• Algumas vezes a mesma história comum do povo da Bíblia é narrada com dados e circunstâncias distintas, por diferentes autores, em épocas diversas, devido ao fato de que o povo de Israel vivia em tribos e que acampavam em diferentes regiões.

topo 2.4. A Bíblia, algumas características

Existem algumas características encontradas na Bíblia que valem a pena ser mencionadas:

a) Inexatidões da Bíblia - estas apenas nos demonstram que a Bíblia é também palavra de homens. Há, por exemplo, inexatidões científicas, mas devemos perceber que as verdades religiosas que Deus nos quer transmitir, são expressas de modo humano, não só através dos gêneros literários do mundo antigo, mas também através do nível de conhecimentos de biologia, astronomia, geografia, etc., próprios das culturas daqueles povos e tempos, e de sua concepção de mundo, bem mais restrita da que temos hoje em dia.

b) Deficiências morais - quando a Bíblia nos mostra a realidade de homens bastante primitivos, com graves erros morais, decisivamente humanos, ela não é um livro muito edificante. Abraão será chamado "Pai da Fé", mas não hesitará em entregar sua mulher para salvar a própria vida; o rei Davi, o "Eleito de Deus", engravida a mulher de um de seus melhores generais e manda matá-Io a traição; há ainda deveres de vingança, a Lei do Talião ("olho por olho, dente por dente"). entre outros exemplos que nos mostram uma história real de homens sensuais e brutos, a quem Deus, em sua pedagogia, adapta-se para conduzi-los à salvação.

 c) Sentimentos religiosos inaceitáveis - muitas vezes os sentimentos religiosos são humanamente deficientes, servindo para orações de vingança, desejando o mal ao inimigo, etc. (como nos Salmos 58,109,137). "Para a redação dos livros sagrados Deus escolheu homens que utilizou, fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, de forma que operando neles e através deles, escrevessem como verdadeiros autores, tudo aquilo que Ele quisesse” e, provavelmente, nem sabiam que escreviam por inspiração de Deus.

d) Inspiração - sabemos que não foi Deus quem escreveu materialmente a Bíblia, nem a ditou aos ouvidos dos autores, nem exerceu sobre eles uma influencia mágica que os privasse de suas faculdades normais, pois, como vimos, o homem foi o verdadeiro autor literário da Bíblia. E também não podemos reduzir sua interferência a uma simples influência moral como uma ordem ou conselho, ou uma inspiração poética. Mas podemos dizer que Deus influiu ativamente nos homens autores da Bíblia que, por meio deles, respeitando-os totalmente como autores plenamente humanos, livres, nos expressou seu pensamento, e nos comunicou sua mensagem religiosa de salvação.

 e) A fé bíblica - nada do que vimos acima se entenderia sem a fé. A fé em Deus, tal como aparece na Bíblia, consiste em reconhecer Deus na história dos homens, amando e salvando. Esta fé-reconhecimento logo se expressará como fé-fidelidade na resposta positiva do homem a este Deus que o criou, deu-Ihe o mundo e está presente em sua história, e isto implica, por parte do homem, consentimento de sua inteligência, confiança cordial, amor, esperança, compromisso com os princípios ou realidades que não podem ser vistos claramente ou rigorosamente comprovados. Ou seja, de um lado a convicção de que Deus revelou-se presente, ativo e salvador na história dos homens e, de outro, a entrega confiante e comprometida a esse Deus assim manifestado. Nossa fé cristã de hoje começa com o reconhecimento e aceitação deste Deus que "habitou entre nós" (Jo 1,14), e que é Jesus de Nazaré. Ler Hebreus 11

 topo 2.5. A Bíblia como vida

Estamos acostumados a considerar a Bíblia somente como livro, mas devemos ter em mente que esse ”livro” não se entende sem o povo, sem a comunidade em que surgiu, sem a vida daquela gente, sem a sua fé em Deus. Os acontecimentos principais do povo judeu foram o terreno onde a Bíblia nasceu, cresceu e se fixou por escrito. Ou seja, primeiro surgiram os fatos reais, históricos, na vida de um homem, de algumas tribos, de um povo, como podemos ver a partir de Gn 12, com a história deste povo a partir de Abraão, seu primeiro patriarca que o levou para Canaã, a terra prometida por Deus, passando pelos outros 3 patriarcas, descendentes de Abraão (Isac, Jacó e José, este último no Egito); a ida de seus descendentes para o Egito, onde foram oprimidos com o passar dos anos; depois, no livro do Êxodo, no auge da opressão no Egito, surge Moisés, que motiva o povo a abandonar o cativeiro, assistido por Deus.

 Durante todo esse tempo o povo vai tomando consciência da ação de Deus na sua história. Com o passar do tempo este povo foi organizando-se em tribos e, sob a chefia de Josué, reconquista Canaã, onde estabelecem-se, deixando aos poucos a condição de povo nômade para a de sedentário, necessitando, pois, de uma liderança, de onde saem os reis Saul, David e Salomão. Nesta época, a partir de 931 a .C., é que as primeiras tradições foram escritas. O sucessor de Salomão não agradou com sua política opressiva e o povo acabou dividindo-se: as 10 tribos do norte que se revoltaram formaram o Reino de Israel, e as do sul o Reino de Judá.

Nessa época surge a figura dos profetas que, com uma visão critica da História e inspirados por Deus, anunciam a palavra desse mesmo Deus e denunciam os falsos valores defendidos pelo grupo dominante, procurando manter viva a fé do povo na aliança que fizeram com Deus por meio de seus antepassados. Tanto o reino de Israel, quanto o de Judá, após alguns séculos, foram dominados por outros povos, assírios e babilônios respectivamente.

No exílio na Babilônia, o povo passa por uma violenta crise de fé, costumes, tradições e de visão de mundo, ao mesmo tempo em que foi um período de purificação de fé, experimentando mais uma vez a ação de Deus em suas vidas. Com o domínio da Babilônia pelos persas, os judeus são liberados para voltar a sua antiga pátria. Os que regressaram reconstruíram os muros de Jerusalém e o templo, e sob a liderança dos sacerdotes distinguem-se pela viva esperança no futuro Messias libertador do povo e na reconstrução do reino de David, símbolo de bem-estar e prosperidade. Passam a ter no livro de sua história o seu maior valor, tornando-se o centro da vida do povo que nele descobre a palavra de Deus.

Em 63 a .C. os romanos ocupam a Palestína e deixam lá seus representantes. Foi durante o reinado de um deles, o rei Herodes, que nasceu Jesus de Nazaré, iniciando-se o tempo do Novo Testamento e um novo povo de Deus: a Igreja .

Seus ensinamentos foram conservados por seus discípulos e pelos primeiros cristãos que, mais tarde, escreveram os 4 Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse. Toda essa história, condensada em poucas linhas, encontra-se na Bíblia, considerada pelos cristãos como o livro sagrado porque foi escrito sob a inspiração do Espírito Santo, e narra a história de um povo que soube acolher a revelação de Deus e conservá-la por escrito até a vinda de Jesus Cristo, filho de Deus.

O cristianismo herdou desse povo o AT e o completou com o NT , considerando a Bíblia, no seu conjunto, como o livro que contém a iniciativa de Deus que busca salvar o homem e, nesta palavra e na tradição, baseiam-se todos os ensinamentos e a vida da Igreja. Procuremos conhecer melhor este livro.

A Bíblia só tem sentido se for um livro para ser vivido e não para ficar sobre a estante. Ela é um livro que relata uma experiência humana de uma outra época, mas que servirá para outras gerações como experiência de fé, pois sua verdade não é científica e sim existencial.

topo 2.6. Os livros do Antigo Testamento = AT

Foram escritos aos poucos por muitos escritores e ao longo de quase dez séculos, a partir do ano 1000 a .C. Antes, as histórias do povo de Deus eram contadas e transmitidas apenas oralmente, de pai para filho. Estes livros do AT são uma reflexão sobre a caminhada do Povo de Israel: um povo que soube descobrir em sua história a presença atuante de um Deus amigo e libertador, e aceitou ser povo de Deus, Povo da Aliança. Evidentemente, não é sempre fácil entender a linguagem de gente que escreveu há quase três mil anos atrás!

 É preciso saber distinguir os diversos modos de escrever, ou “gêneros literários” (história, poesia, poema, novela, provérbios, oração etc.). É preciso, também, procurar entender o sentido de muitas imagens ou gírias, próprias daquela época. Como por exemplo: “a mulher foi tirada da costela de Adão”, é simplesmente uma imagem da época para dizer que o homem e a mulher são complementares. Tem gente que pensa assim: “O AT não é tão importante para nós.

O que importa é o Novo!” Errado! O AT é tão Palavra de Deus quanto o Novo. O AT , além de ser indispensável para compreender o Novo, contém ensinamentos importantíssimos para nós, hoje: lá encontramos quem é o nosso Deus...encontramos o exemplo e ensinamento de grandes homens como Abraão, Moisés, os Profetas...encontramos os 150 Salmos que continuam sendo a oração do novo Povo de Deus – Igreja. Encontramos ainda, logo nas primeiras páginas do AT , no Livro do Gênesis, uma rica e profunda mensagem sobre o sentido da vida.

 topo 2.7. Os livros do Novo Testamento = NT

Os 27 livros são estes:

• 4 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, • Atos dos Apóstolos,

 • 21 cartas dirigidas às primeiras comunidades cristãs,

• Apocalipse.

A palavra “Evangelho” quer dizer “Boa Notícia”. O próprio Jesus é a Boa Notícia esperada pelos homens. Por muitos anos os apóstolos foram anunciando, de viva voz, a Boa Notícia de Cristo. Só mais tarde é que Marcos , Mateus, Lucas e João decidiram colocar, por escrito, este Evangelho pregado e vivido nas comunidades.

Ler o Evangelho deve corresponder a uma busca de uma notícia boa para a nossa vida e para o mundo de hoje. Para quem acha que tudo está ótimo e, por isso, nada procura, para quem está “na sua” e vive sem ideais, o Evangelho não significa nada! Porque uma notícia se torna “boa” somente quando corresponde a uma expectativa dentro de nós!

 topo 2.8. A Bíblia é palavra de Deus Quem escreveu a bíblia?

Evidentemente a Bíblia não caiu do céu. Já vimos que ela surgiu da vida do Povo de Deus. Através dos acontecimentos, Deus foi se revelando a seu Povo e este soube enxergar sua presença e sua vontade. Alguns homens, inspirados por Deus, colocaram por escrito esta revelação de Deus na vida do Povo. Neste sentido podemos dizer que Deus é o verdadeiro escritor da Bíblia que, por isso, chama-se também Sagrada Escritura ou Livro da Palavra de Deus.

“Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito” ( 2Tm 3,14-17 ).

 Por isso, “ignorar as Escrituras é ignorar o Cristo!” ( S. Jerônimo ).

 topo 2.9. As citações bíblicas, como ler

As citações são assim encontradas na Bíblia:

Exemplo: Mt 4,1-5. Isto quer dizer : Evangelho de São Mateus, capítulo 4, versículos de 1 a 5.

Portanto:

• vírgula ( , ) separa os capítulos dos versículos

 • traço ( - ) liga os versículos intermediários, não necessitando escrever todos os números dos versículos

• ponto e vírgula ( ; ) separa versículos do mesmo livro e de outros livros

• ponto ( . ) separa versículos de versículos não seguidos

• a letra “s” colocada após a citação de um versículo indica que se deve ler aquele versículo e o seguinte

• duas letras “s” indicam que a leitura deve continuar adiante até onde for necessário, sem um fim determinado.

• outras letras após os versículos indicam que tais versículos devem ser lidos apenas em parte. topo Treinando a manusear a Bíblia ...

vamos treinar ?

• At 1,2 • Cor 7,8 a • Gál, 3,4ss • Mc 3,1-6; • 1 Cor 2,6; • Mt 5,16-21 • 1 Jo 1,4s; 2 • Rom, 12,1-3 • Lc 18,1-5 19,6-9

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SETE CHAVES  PARA LER E

 

CONHECER A BÍBLIA

 

 

Primeiro passo para conhecer a Bíblia é ler a própria Bíblia.

 

 

Você tem Sete Chaves que abrem o seu coração para ler a Bíblia de forma libertadora, agradável e correta. Estas chaves são fáceis de se encontrar, pois elas estão simbolizadas em seu próprio corpo. Com as "Sete Chaves" você encontra a Palavra de Deus que está na Bíblia e na vida e entenderá melhor o sentido escondido atrás das palavras. Veja só:

 

1) Pés: Bem plantados na realidade. Para ler bem a Bíblia é preciso ler bem a vida, conhecer a realidade pessoal, familiar e comunitária do país e do mundo. É preciso conhecer também a realidade na qual viveu o Povo da Bíblia. A Bíblia não caiu do céu prontinha. Ela nasceu das lutas, das alegrias, da esperança e da fé de um povo (Ex 3,7

 

2) Olhos: Bem abertos. Um olho deve estar sobre o texto da Bíblia e o outro sobre o texto da vida. O que fala o texto da Bíblia? O que fala o texto da vida? A Palavra de Deus está na Bíblia e está na vida. Precisamos ter olhos para enxergá-la.

 

3) Ouvidos: Atentos, em alerta. Um ouvido deve escutar o chamado de Deus e o outro escutar o seu irmão.

 

4) Coração: Livre para amar. Ler a Bíblia com sentimento, com a emoção que o texto provoca. Só quem ama a Deus e ao próximo pode entender o que Deus fala na Bíblia e na vida. Coração pronto para viver em conversão.

 

5) Boca: Para anunciar e denunciar. Aquilo que os olhos viram, os ouvidos ouviram e o coração sentiu a palavra de Deus e a vida.

 

6) Cabeça: Para pensar. Usar a inteligência para meditar, estudar e buscar respostas para nossas dúvidas. Ler a Bíblia e ler também outros livros que nos expliquem a Bíblia.

 

7) Joelhos: Dobrados em oração. Só com muita fé e oração dá para entender a Bíblia e a vida. Pedir o dom da sabedoria ao Espíri to Santo para entender a Bíblia.

 

Regras de ouro para ler a Bíblia

História da Bíblia Sagrada                      

Prólogo                                       

A Bíblia é um livro difícil. Difícil porque é antigo, foi escrito por orientais, que têm uma mentalidade bem diferente da greco-romana, da qual nós descendemos. Diversos foram os seus escritores, que viveram entre os anos 1200 a.C. a 100 d.C. Isso, sem contar que foi escrita em línguas hoje inexistentes ou totalmente modificadas, como o hebraico, o grego, o aramaico, fato este que dificulta enormemente uma tradução, pois muitas vezes não se encontram palavras adequadas.

Outra razão para se considerar a Bíblia um livro difícil é que ela foi escrita por muitas pessoas, ás vezes até desconhecidas e em situações concretas as mais diversas. Por isso, para bem entendê-la é necessário colocar-se dentro das situações vividas pelo escritor, o que é de todo impraticável.

Quando muito, consegue-se uma aproximação metodológica deste entendimento. Além do mais, a Bíblia é um livroinspirado e é muito importante saber entender esta inspiração, para haurir com proveito a mensagem subjacente em suas palavras. Dizer que a Bíblia é inspirada não quer dizer que o escritor sagrado (ou hagiógrafo) foi um mero instrumento nas mãos de Deus, recebendo mensagens ao modo psicográfico.

É necessário entender o significado mais próprio da 'inspiração' bíblica, assunto que será abordado na continuação. Entre os católicos, o interesse por conhecer a Bíblia praticamente começou após o Concílio Vaticano II, ou seja, a partir dos anos '60, enquanto os Protestantes há muito se interessam por estudá-la.

Não quero adentrar aqui na histórica polêmica religiosa que cerca a leitura e a interpretação da Bíblia, ressuscitando vetustas divergências. Apenas vale salientar que uma série de enganos podem advir de uma interpretação bíblica literal, porque uma interpretação ao "pé da letra" não revela o sentido mais adequado de todas as palavras. Para que não aconteça conosco incidir neste equívoco, devemos aprender a nos colocar na situação histórica de cada escritor em cada livro, conhecer a situação social concreta da sociedade em que ele viveu, procurar entender o que aquilo significou no seu tempo e só então tentar aplicar a sua mensagem ás nossas circunstâncias atuais. 1. O que é a Bíblia? Definição do Concilio Vaticano II: "A Bíblia é o conjunto de livros que, tendo sido escritos sob a inspiração do Espirito Santo, têm Deus como autor, e como tais foram entregues à Igreja".

TESTAMENTO (novo ou antigo):

é a tradução da palavra hebraica "berite" que significa a aliança de Deus com o povo por Moisés. Na tradução dos 70 a palavra "berite" foi traduzida por "diatheke", que em grego quer dizer aliança, contrato, testamento. OBS: A 'tradução dos 70' é uma das versões mais antigas da Bíblia.

Segundo a tradição, este trabalho teria sido realizado por 70 sábios da antiguidade. 2. Quais as partes que compõem a Bíblia? A Bíblia se divide em duas partes principais: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo refere-se ao período anterior a Jesus Cristo e o Novo se refere ao período cristão. Cada uma destas partes se compõe de diversos 'livros', escritos em épocas históricas diferentes. A seguir, a relação dos livros com uma breve referência ao conteúdo deles.

LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO

1. Pentateuco (cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números, Deuteronômio) 2. Josué (narra a entrada do povo de Deus na Palestina) 3. Juizes (narra a conquista da Palestina) 4. I e II de Samuel (relatos da época de Saul e Davi, continuação da conquista) 5. I e II dos Reis (relatos sobre Salomão e seus sucessores) 6. I e II das Crônicas (continuação dos relatos sobre os outros Reis) 7. I e II dos Macabeus (continuação do período dos Reis) 8. Livro de Rute (faz alusão ao universalismo. Noemi era pagã e se inseriu no povo de Deus). 9. Livro de Tobias, Livro de Judite, Livro de Ester (pertencem ao gênero de contos. São livros do tempo do exílio, quando se apresentavam exemplos de abnegação ao povo oprimido, convidando-os a suportar o sofrimento). 10. Livro de Isaías (cap.l a 39 são do próprio escritor; cap. 40 a 55 são de discípulos; cap.56 a 66 são de outros escritores posteriores) 11. Livro de Jeremias (ditado por este a Baruc, seu secretário) 12. Livro de Ezequiel (um dos profetas maiores) 13. Livro de Daniel (tem um conteúdo apocalíptico ) 14. Livro de Jó (do gênero conto, procura demonstrar que não só os bons são felizes. Tem por objetivo combater uma idéia comum de que só os ricos eram os abençoados por Deus). 15. Livros Sapienciais (Eclesiastes ou Qohelet; Eclesiástico ou Siráside; Provérbios, Sabedoria e Cântico dos Cânticos). São reflexões de cunho acentuadamente humanístico, aproveitamento do saber oriental. 16. Livro dos Salmos (coleção de cantos litúrgicos). 17. Profetas Menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias (chamados menores não com relação à sua importância, mas ao tamanho de seus escritos).

LIVROS DO NOVO TESTAMENTO

1. Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas - têm muitas semelhanças entre si ). 2. Evangelho de João (maior desenvolvimento teórico, influência filosófica de época) 3. Atos dos Apóstolos (narram a missão dos apóstolos após a Ressurreição de Cristo) 4. Epístolas de Paulo (historicamente, os primeiros escritos do NT) 5. Epístolas Católicas (Pedro, Tiago, Judas): dirigidas a todos os fiéis, por isso, universais. 6. Apocalipse (escrito por João, na base de códigos, símbolos).